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De Onde Vêm os Mitos da Astrologia? A Curiosa História por Trás do 13º Signo, Mercúrio Retrógrado e a Lua Cheia

28/07/2026 · 7 min de leitura · Página 1 de 3
De Onde Vêm os Mitos da Astrologia? A Curiosa História por Trás do 13º Signo, Mercúrio Retrógrado e a Lua Cheia

Os mitos que o céu nunca pediu para carregar

Todo universo simbólico rico como a astrologia atrai, com o tempo, uma porção de histórias que se espalham mais pela repetição do que pela precisão. Não é sobre estar certo ou errado — é sobre entender como certas ideias nascem, ganham força e acabam se tornando verdades de bastidor que quase ninguém questiona. Neste texto, a proposta é diferente da de simplesmente desmentir: vamos investigar a origem de três dos mitos mais repetidos do zodíaco e, principalmente, tentar entender por que eles insistem em voltar, ciclo após ciclo, como se fossem uma lua cheia que nunca se cansa de nascer no horizonte.

O 13º signo que nunca foi anunciado por nenhuma agência espacial

De tempos em tempos, uma notícia reaparece nas redes afirmando que existiria um signo esquecido, o Ofiúco, e que alguma grande instituição científica teria decidido incluí-lo no zodíaco. A história tem um quê de conspiração charmosa, mas a origem é bem mais terrena — e bem mais antiga — do que qualquer comunicado oficial.

Ofiúco é, de fato, uma constelação real, uma das treze que o Sol atravessa em sua trajetória aparente pelo céu. Os antigos babilônios, que foram os primeiros a organizar esse caminho solar em um sistema simbólico, conheciam perfeitamente a existência dela. A escolha de trabalhar com doze divisões, e não treze, não foi um esquecimento: foi uma decisão prática, ligada ao desejo de fazer o zodíaco corresponder aos doze ciclos lunares de um ano. Doze signos de trinta graus cada, um sistema elegante e redondo — Ofiúco simplesmente não coube nesse desenho, e ficou de fora por escolha, não por acidente.

A ideia de resgatá-lo como um signo extra não veio da astronomia, e sim da própria astrologia. Foi um autor chamado Steven Schmidt quem, em 1970, propôs num livro a existência de catorze signos, incluindo Ofiúco e também Cetus. Décadas depois, em 1995, um astrólogo britânico retomou a tese com um livro dedicado exclusivamente a defender os treze signos. O boato ganhou ainda mais força quando declarações de um astrônomo, em 2011, foram repercutidas fora de contexto pela mídia, dando a impressão de que se tratava de uma revisão científica oficial do zodíaco.

A raiz de toda a confusão está em misturar duas linguagens diferentes: a astronomia observa constelações reais, que têm tamanhos irregulares e limites imprecisos no céu; a astrologia trabalha com um sistema simbólico de doze signos de tamanho fixo, criado por convenção há milênios. São dois mapas diferentes do mesmo céu, e um não invalida o outro — eles simplesmente não falam a mesma língua.

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